Goro Taniguchi, um dos nomes mais respeitados da indústria de animes, não economiza nas críticas ao cenário atual do setor. Em uma palestra de 90 minutos realizada em 26 de maio na Universidade de Keio, patrocinada pela ARCH, Taniguchi compartilhou sua preocupação com a direção que o anime moderno está tomando. Suas palavras, publicadas pelo Asahi Shimbun, soam como um alerta: a falta de supervisão criativa transforma o anime em um produto como “fast food”.
O Diagnóstico de Taniguchi
Taniguchi aponta a ausência de uma visão unificada como um problema estrutural. Ele critica como os departamentos de produção operam de forma independente, resultando em obras que, embora possam ser tecnicamente competentes, carecem de identidade e coerência. “O resultado de todos fazerem as coisas de forma desconexa é fast food”, afirmou. Ele exemplifica com diretores de fotografia que, ao compartilhar comparações de cenas antes e depois de seus ajustes de imagem, revelam a falta de instruções precisas do diretor principal.
O Impacto das Séries de Um Cour
Um dos pontos centrais do discurso de Taniguchi é a proliferação de séries de um cour, temporadas que variam entre 11 e 13 episódios, que ele vê como prejudiciais para o aprendizado e desenvolvimento de novos talentos. “Com um cour, um membro da equipe só pode estar envolvido em um máximo de três episódios”, disse. Para ele, isso é insuficiente para um aprendizado significativo, desestruturando o sistema de formação de profissionais.
A Dependência de Adaptações
Em suas críticas, Taniguchi toca em um ponto sensível: a dependência excessiva da indústria em adaptações de mangás e light novels. Ele vê isso como uma ameaça à criatividade e inovação. “Se ficarmos apenas com adaptações, a animação japonesa estará acabada”, alertou. Seu recente trabalho, L’étoile de Paris en fleur, é uma declaração contra essa tendência, sendo uma obra original sem base em materiais pré-existentes.
Exceções e Esperanças
Apesar das duras críticas, Taniguchi reconhece que grandes estúdios, como Toei Animation e TMS Entertainment, ainda conseguem manter certa integridade criativa, principalmente em séries longas de animação infantil. Nesses contextos, há espaço para feedback contínuo e desenvolvimento de habilidades, algo que ele considera crucial para a saúde da indústria.
Conclusão
O discurso de Taniguchi na Universidade de Keio serve como um chamado à reflexão para a indústria de animes. Ele defende uma volta às origens, onde a criatividade e a originalidade devem ser priorizadas sobre a produção em massa e a dependência de adaptações. Em um cenário que ele compara a uma refeição rápida e sem substância, Taniguchi clama por uma produção que respeite o desenvolvimento artístico e a coesão narrativa, garantindo que o anime continue a evoluir como uma forma de arte rica e diversificada. 