O Filme “A Senhora Ermitã” e Sua Importância no Gênero de Artes Marciais Femininas
Uma das produções mais divertidas com mulheres à frente nas artes marciais nos anos 1970 ganhou uma sequência secreta um ano depois de seu lançamento. Antes mesmo de os filmes americanos começarem a explorar essa temática, já era comum ver mulheres como protagonistas em filmes de artes marciais. Isso se deve, em grande parte, a obras-primas como My Young Auntie e A Touch of Zen.
Um dos pioneiros desse segmento foi Cheng Pei-pei, que é considerada por muitos a primeira estrela feminina de ação. Ela ganhou destaque como uma espadachim destemida em uma missão de resgate no influente filme wuxia Come Drink With Me. Embora este filme seja sua obra mais reconhecida, Cheng Pei-pei teve outros papéis marcantes, como em The Lady Hermit, um dos melhores filmes de artes marciais femininas da década de 1970.
Um Romance Marcante em “A Senhora Ermitã”
The Lady Hermit, lançado em 1971, é um filme de época que apresenta Cheng Pei-pei como uma renomada espadachim que abandonou o mundo das artes marciais para viver como uma eremita. A trama se complica quando uma guerreira ambiciosa, interpretada por Shih Szu, busca sua orientação em esgrima. As duas formam uma relação de mestre e aprendiz, enquanto lidam com a atração mútua pelo personagem masculino, vivido por Lo Lieh.
Embora Shih Szu não tenha a mesma fama de Cheng Pei-pei, sua carreira em filmes de artes marciais é notável, com papéis em obras aclamadas como Avenging Eagle e Shaolin Temple. No desenrolar da história, os personagens de Shih Szu e Lo Lieh se envolvem nas lutas da Senhora Ermitã, que espera uma oportunidade de confrontar um rival poderoso. O clímax do filme traz uma batalha intensa, repleta de altos e baixos emocionais que encerram de forma satisfatória os arcos dos três personagens.
A dinâmica entre as duas protagonistas é o coração da narrativa. The Lady Hermit apresenta cada personagem de forma rica, permitindo que o público torça por ambas, mesmo com seus objetivos e visões distintas. Enquanto a Senhora Ermitã é uma mulher mais velha e endurecida, Shih Szu interpreta uma lutadora nobre, mas ingênua, em busca de glória. O filme é um exemplo notável de como uma produção pode equilibrar a ação com uma narrativa envolvente.
“A Taverna Negra”: A Sequência Surpreendente de “A Senhora Ermitã”
A sequência inesperada de The Lady Hermit chegou no ano seguinte com The Black Tavern. Apesar do título não deixar claro a conexão, à medida que a história avança, torna-se evidente que a espadachim errante de branco é a mesma personagem que Shih Szu interpretou anteriormente. De certa forma, The Lady Hermit funciona como uma passagem de bastão, onde a aluna retorna, mas não a mestre.
No enredo de The Black Tavern, a protagonista se junta a um grupo de personagens que se encontram em uma taverna, esperando pela passagem de um suposto lord rico. As motivações de sua personagem são inicialmente obscuras, assim como as de muitos outros que habitam a história, muitos dos quais são vilões ardilosos em busca de lucro. Isso diferencia The Black Tavern de sua antecessora, focando mais em mistério do que em romance e treinamento.
Um dos destaques de The Black Tavern é seu vilão principal, interpretado por Ku Feng. Ele é um bandido cruel, que empunha um chicote e possui uma presença marcante, roubando a cena. Vilões memoráveis fazem parte da essência dos filmes de artes marciais, e The Black Tavern não decepciona nesse aspecto, com Ku Feng oferecendo uma performance tanto exagerada quanto sinistra.
Conclusão
Ambos os filmes, The Lady Hermit e The Black Tavern, representam marcos importantes na representação feminina dentro do gênero de artes marciais, destacando não apenas a ação, mas também a profundidade das personagens e suas histórias. A trajetória de Cheng Pei-pei e Shih Szu, assim como seus papéis, continuam a inspirar novas gerações de cineastas e fãs do gênero.