Nos últimos anos, muitos fãs de cinema têm se queixado da ausência de cenas de sexo nos filmes. A escritora RS Benedict, em seu ensaio “Todos são Bonitos e Ninguém está Excitado”, observou que os filmes da Marvel, por exemplo, apresentam personagens com corpos ideais, mas sem nenhum sinal de desejo sexual. Benedict escreve: “Mesmo quando fazem sexo, ninguém está realmente excitado. Ninguém é atraído por ninguém. Ninguém sente desejo.” Essas reflexões foram ecoadas por outros, incluindo o diretor Zack Snyder, que recentemente afirmou à Variety: “O sexo nos filmes estranhamente desapareceu. Eu não entendo isso.” Snyder sugeriu que um filme NC-17 de sucesso poderia quebrar esse estigma. No entanto, ao analisar a história do sexo no cinema, percebemos que a visão de Snyder sobre o passado dos espectadores é imprecisa, e ele parece não compreender completamente o público atual.
Sexo, Cinema Mudo e o Código Hays
É surpreendente para alguns, mas o sexo sempre fez parte do cinema. Desde cenas de banho em curtas de Georges Méliès em 1897, até performances sensuais de Theda Bara no filme perdido de 1917, “Cleópatra”, o cinema sempre explorou a sensualidade. Filmes como “Orphans of the Storm” de 1921 e o vencedor do Oscar de 1927, “Wings”, também incorporaram elementos sexuais. Até mesmo épicos bíblicos, como “The Sign of the Cross” de Cecil B. DeMille, apresentavam orgias romanas, o que gerava polêmica, mas também sucesso de bilheteria. Esses filmes levaram à criação do Código Hays, um conjunto de regulações morais que os filmes americanos deveriam seguir para distribuição nacional. Apesar de proibir qualquer “nudez licenciosa ou sugestiva”, os filmes dessa era, entre 1934 e 1954, são considerados alguns dos mais sensuais de Hollywood, usando metáforas visuais para sugerir o que acontecia nas cenas.
O Declínio do Código Hays
Com o fim do Código Hays na década de 1950, novos gêneros e tecnologias trouxeram o sexo de volta às telas. Filmes de exploração, cinema internacional e o movimento New Hollywood frequentemente incluíam cenas de nudez e sexo. O sucesso de “Midnight Cowboy” (1969), que ganhou um Oscar, ilustra a aceitação do público a esse conteúdo. Nos anos 1980 e 1990, os dramas e thrillers eróticos, como “Atração Fatal” (1987) e “Instinto Selvagem” (1992), dominaram as conversas. Mesmo os filmes de ação frequentemente exibiam cenas de sexo.
Sexo e Sensibilidades Modernas
Snyder está certo em notar que por um tempo o sexo pareceu desaparecer dos cinemas. Contudo, isso ocorreu porque quase tudo, exceto filmes de super-heróis, desapareceu das telas, e esses heróis não tinham cenas de sexo. Embora Snyder tenha introduzido elementos sexuais em seus filmes, como “Watchmen”, estas cenas não foram bem executadas. Contrariamente à crença de que os espectadores modernos não gostam de sexo, muitos filmes recentes abordam a sexualidade de maneira sofisticada e são bem recebidos. Filmes como “Anora” e “Oppenheimer”, que incluem cenas de nudez, foram bem-sucedidos crítica e comercialmente. Em 2026, filmes como “Obsession” e “The Invite” trataram a sexualidade de forma direta.
Conclusão
Isso não significa que não deveríamos ter thrillers eróticos blockbusters — o gênero é rico e intrigante. No entanto, a compreensão de Snyder sobre a história do sexo no cinema e o desejo do público atual parece limitada. No fim das contas, o público quer ver sexo e sensualidade integrados a filmes bem-feitos, e não como um fim em si mesmo. Enquanto filmes totalmente em IMAX são raros, a sensualidade continuará a ser explorada nas produções tradicionais, como tem sido desde o início do cinema.










